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N° 36 - Psicoses

Diversos

A psicanálise persevera em abordar as psicoses de um ponto de vista estrutural, ainda que a clínica psiquiátrica dominante tente reduzi-las a uma disfunção...

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Sumário

Parte I – Pontuações da Psicose

A perda da realidade na neurose e na psicose
Sigmund Freud
Tradução: Renato R. P. de Carvalho
Colaboração: Anna Paola Steinhauser
A transferência na psicose
Solal Rabinovitch
Tradução: Analucia Teixeira Ribeiro
A psicose em debate
Núcleo de Investigação Clínica: As Psicoses
Texto estabelecido por: Mauro Rabacov e Paulo Becker
O psicótico em análise
Mauro Rabacov
Paulo Becker
O Wunsch no delírio onírico
Solal Rabinovitch
Tradução: Analucia Teixeira Ribeiro
O falo e o gozo da psicose
Patricia Sá de Paula Machado
Silvia Disitzer
Teresa da Costa
Vera Vinheiro Brandão
Do ABYSSUS ao desejo do analista
Maria Inez Ferreira Figueiredo
Milton Ribeiro Sobrinho
Thais Gontijo
Vanda Pignataro Pereira
As condições do gozo na psicose
Carmen Lucia Rosalba Vila Passos
Sobre a holófrase
Vera Maria Vinheiro Brandão
O delírio na direção de tratamento da psicose
André Schaustz
Elaborações sobre o lugar do analista no tratamento da psicose: Como conceber o manejo da transferência na psicose?
Maria Silvia Garcia Fernández Hanna
Sobre o sujeito da linguagem
Benita Losada A. Lopes
Tecido do fora
Nestor Torralbas
Para onde aponta a palavra do psicótico?
Gilda Maria Gomes Carneiro

Parte II – Homem dos Lobos: a Questão do Diagnóstico para a Psicanálise

O homem dos diagnósticos – da história de um dilema lacaniano
Carlos J. Escars
Tradução: Paloma Vidal
Necessidade de falta
María Teresa Poyrazián
Tradução: Paloma Vidal
Verwerfung e/ou forclusão
Eduardo Vidal

Parte III – A Clínica das Psicoses

O dito esquizofrênico
Beatriz Grebol
Tradução: Paloma Vidal
Algumas questões em torno da direção da cura na psicose: um fragmento clínico
Denise Rocha Stefan
Erotomania e transferência
Bruno Netto dos Reys
A “im-posição” – Uma questão de estrutura
Teresa da Costa
Esquizofrenia é um enodamento possível
Silvia Disitzer
O endereçamento transferencial do delírio
Letícia Balbi
Um chamado ao analista
Zulmira Barreto de Moraes

Apresentação

A psicanálise persevera em abordar as psicoses de um ponto de vista estrutural, ainda que a clínica psiquiátrica dominante tente reduzi-las a uma disfunção biogenética. A estrutura em questão é a da linguagem. Em se tratando das psicoses, não devemos nos limitar às visíveis perturbações do eu. Remetemo-nos a um conceito fundamental de Lacan, a saber, a forclusão, a não inscrição de um significante qualquer a um tempo hábil. Algo escapa à dimensão do simbólico na constituição do sujeito e, no caso das psicoses, é o significante Nome-do-Pai que não opera.
Optamos por utilizar o significante forclusão e seus correlatos, consoantes ao termo francês forclusion, tomado por Lacan do instituto jurídico da preclusão. Esta ocorre quando perde-se alguma faculdade processual civil ou algum direito, pelo não exercício dentro do tempo previsto ou pela realização de uma atividade incompatível com aquele. Trata-se, portanto, de uma exclusão forçada. O decurso de prazo implica em extinguir o direito de praticar o ato.

A orientação que se depreende destes princípios aponta à singularidade do sujeito, a cada caso clínico, o que de resto é pertinente à própria ética da psicanálise. Testemunhar e autentificar a fala do psicótico implica em atravessar a angústia do Outro. Isto não deve espantar ao analista. Ao contrário, ao atingir o grau necessário de dessubjetivação que a direção da cura requer nesses casos, ele certamente avançará também sobre a cura do neurótico.

A primeira parte desta publicação aborda questões sobre o funcionamento das psicoses; a problemática específica da relação deste sujeito com a linguagem e as vicissitudes do gozo no corpo. O psicótico não encontra o termo que responda por uma articulação que libere este gozo do corpo.

Na segunda parte, os trabalhos voltam-se para o conceito de diagnóstico estrutural, incluindo um debate sobre o caso do Homem dos Lobos. Trata-se de um diagnóstico feito a posteriori, à medida que Freud deixou-o suficientemente em aberto, ao mesmo tempo em que nos legava suas coordenadas principais. Hoje nos encontramos em condições de avançar nas questões relativas ao diagnóstico diferencial, com base justamente nos limites e configurações em que se apresenta o enlaçamento do simbólico com o real. Se no campo das neuroses, a inscrição do significante Nome-do-Pai é logicamente necessária e eventualmente possível; nas psicoses, este laço está muitas vezes à deriva, entre o impossível e o contingente.

Na terceira parte encontra-se a diversidade da clínica. A perspectiva do real que se abre a partir desta prática obriga o analista, de fato, a reinventar a psicanálise a cada caso. Ao pensar as psicoses como uma falha específica na amarração nodal do sujeito, surgem instrumentos e conceitos que enfatizam a ideia de suplência, pertinente à topologia dos nós, na abordagem dos fatos clínicos.

M.R.
P.B.
S.D.
T.C.

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