Dispositivos de Escola
A Escola Letra Freudiana tem como base três dispositivos de transmissão em psicanálise: cartel, reunião de trabalho clínico e passe. Cada um deles é constituído por um número preciso de integrantes, obedecendo a lógica do não todo própria do discurso analítico. São três lugares que promovem o trabalho no coletivo. Neles se elaboram questões cruciais da prática analítica, do saber da psicanálise e da função do analista. Um dispositivo implica o que há de mais Real na experiência analítica e força um enodamento com o Simbólico e o Imaginário.
Cartel
A Escola Letra Freudiana, desde sua fundação, situa a estrutura de cartel como um dispositivo fundamental na formação do analista. Tal como proposto por Lacan, em 1964, ao fundar a École Freudienne de Paris, o cartel deve ser composto de 3 a 5, +1, sendo 4 a medida certa (4+1). Reunidos em torno de uma questão da psicanálise que os interpela, os integrantes do cartel fazem laço com a Escola através da transferência de trabalho que abre a uma permanente interrogação do saber e do limite da transmissão da psicanálise. Esse dispositivo singular permite, com a lógica que lhe é própria, que o que se diz e elabora nele, se decanta como um produto de cada um.
Cartéis em formação Inscrição de Cartel
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Reunião de Trabalho Clínico
Esse dispositivo dá lugar a um dizer sobre a função desejo do analista em cada análise, tal como reafirmado em Assembleia de Membros no dia 10 de Junho de 2025 como retificação à “Ata da Letra Freudiana de 2014”:
“Da Reunião de Trabalho Clínico
A Reunião de Trabalho Clínico acontece no discurso que sustenta a prática do analista. O dispositivo possibilita que algo se escreva da palavra ouvida em uma análise. É o analista implicado – na formalização das razões de seu ato – em um dizer que se produz ante alguns outros.
Quando da inscrição de uma Reunião de Trabalho Clínico na Escola, espera-se uma proposta por escrito dirigida à Função Dispositivos do Colegiado que a acolherá em sua singularidade. A Escola ratifica a diferença entre esse dispositivo e a supervisão.
Aberta àqueles que participam efetivamente da Escola há no mínimo três anos e demonstrem um laço de trabalho orientado pelo ‘fazer escola’. O dispositivo funciona em número que pode variar de 6 a 9 elementos de um conjunto; a função ‘menos um’ (-1), ao operar como vazio que movimenta e como obstáculo à unificação, faz ato no momento de concluir”.
Passe
O passe é um dispositivo baseado na Proposição de 9 de Outubro de 1967 de Jacques Lacan. A raiz da experiência do campo da psicanálise em extensão, que motiva a Escola, deve ser encontrada na experiência analítica, ou seja, na intensão. O passe, como experiência de um coletivo da Escola proporciona certa luz sobre a passagem de analisante a analista. É preciso que se diga algo do instante da emergência do desejo do analista como efeito da análise. Para aquele que deseja se lançar à experiência do passe caberá fazer chegar uma lettre/carta à Escola, endereçada ao Procedimento do Passe. Essa lettre/carta será entregue em mãos na Secretaria da Escola (Rua Barão de Jaguaripe, 231 – Ipanema, CEP: 22.421-000, Rio de Janeiro – RJ), ou pelo correio (endereço citado) que a fará chegar ao Procedimento. Para a designação dos passadores, os membros da Escola devem se dirigir ao Procedimento do Passe. Os nomes dos sete membros que compõem o atual procedimento encontram-se escritos na pasta do respectivo Dispositivo, na secretaria da Escola. Havendo nominação o Procedimento fará a transmissão à Escola através de uma lettre/carta.
