No seminário 9, A identificação, Lacan estabelece a distinção entre as identificações imaginárias, cativantes e necessariamente presentes na experiência do sujeito, e a identificação simbólica, estrutural. Afirma reiteradamente que a identificação que possibilita a inscrição do sujeito no campo da linguagem é identificação ao significante, fundamentalmente, identificação ao traço unário, suporte de todo significante, marca da pura diferença que se instaura no lugar do apagamento do objeto, inscrevendo a diferença no real. Aí se situa, segundo Lacan, a fundação do inconsciente, recalque originário, em termos freudianos. A identificação ao traço unário produz, portanto, resto.

O percurso de uma análise pode levar o sujeito a se confrontar com esse ponto de falta, de real que constitui a identificação. Cabe ao analista, operando como semblante de objeto, o registro e inscrição da falta de modo a possibilitar a construção de uma relação ética com o desejo.

Em 2026, prosseguiremos a travessia desse seminário a partir da lição VIII, de 17 de janeiro de 1962.

Ana Augusta Miranda

Vitória/ES – Quartas-feiras às 18h (quinzenal) online