El contenido del sueño nos es dado, por así decir, en una pictografi a {bilderschrift}…
Freud, “La interpretación de los sueños“.Se a escrita {écriture} de que falo tem como único suporte o retorno sobre si mesma, em fechamento, de um corte, tal como ilustrei sobre a função do toro, somos levados a falar da função de borda (…). A partir do momento em que falamos de borda, não há nada que nos faça dar substância a essa função.
Lacan. A lógica do fantasma, 23.11.1966
No campo aberto por Freud com o inconsciente e a escrita no sonho, Lacan destaca que o sintoma pode ser lido por se inscrever em um processo de escrita. O aparelho psíquico freudiano anuncia a superfície de escrita que se produz na experiência analítica.
A verdade provém do real e tem uma estrutura de ficção, o que não implica que a produção na análise seja da dimensão ficcional do campo literário. A escrita que a sustenta vem de um lugar diferente daquele do significante, não tem a substância do texto impresso. Com o nó borromeano temos uma apreensão da letra que faz litoral entre saber e gozo. A escrita nodal a-borda, faz buraco. Essa é a escrita que realmente situa e escreve a instância da letra.
Como ensaiar uma articulação entre essa escrita e aquela que foi produzida pela caneta, pincel, teclado, estilete, cinzel, cinematógrafo, etc? Tal articulação – que é contingente – visa rastrear pontos de opacidade que sugerem alguma aproximação ao real, uma certa passagem à escrita do que não para de não se escrever.
Francisco José Bezerra Santos
Fortaleza/CE – Mensal, sábados às 10h30 (datas a combinar)
