Sumário
a coisa, a causa, acoisa
Eduardo Vidal
a causa resta
Francisco José Bezerra Santos
a causa e a objeto do desejo
Arlete Garcia
Um retorno a Kierkegaard
Hugo Ribeiro
Do vazio, o que se escreve?
Sergio Becker
Santo homem – fazer descaridade
Sofia Sarué
Da formação do analista à sua causa: algumas articulações possíveis entre a formação do analista e o objeto a
Nilza Ericson
a função analista. Uma posição ética
Alicia Sterlino
“não passa de uma letra” algumas linhas em torno do objeto a
Leticia Nobre
Do supereu à pergunta pela causa de desejo: uma leitura no “espaço de trabalho”
Glória Castilho e Nina Lessa
O objeto a pelos caminhos da topologia do toro
Marisa S. Guimarães e Tatiana Porto Campos
Não sem… a causa…
Anete Tizue Tokashiki Arita
O percurso de um sujeito da linguagem, em construção
Josely Brasil
Lol e a vacuidade do corpo a, da causa ao resto
Patricia Sá
É preciso apostar
Eduardo Vidal
Barthes e Gide – em torno de Paludes
Paloma Vidal
Por uma causa amante
Lucia Castello Branco
a causa de desejo como subversão do totalitarismo
Bruno Diniz Castro de Oliveira
Lugar
Correspondência de Freud/Zweig
A arte da carta
Tradução (bilíngue)
Fabiano Rabêlo e Patricia Sá
Sobre as cartas trocadas entre Sigmund Freud e Stefan Zweig
Alberto Dines
Carta de Stefan Zweig a Sigmund Freud de 5.11.1935
Tradução da carta (bilíngue)
Lucas Ramos Fernandes
Colecionador de cartas
Marcelo Weisz Brassay
Apresentação
Reunimos aqui os produtos do percurso realizado pela Escola Letra Freudiana no trabalho em torno de “a causa do desejo” em 2022. Debruçar-se sobre essa causa requer que nos interroguemos sobre o estatuto do objeto a em sua constituição.
Em Freud, o objeto, desde sempre perdido, é o que se recorta do circuito pulsional, objeto em torno do qual gira a dialética do desejo. Entretanto, é preciso que se constitua como falta subjetiva para funcionar como causa.
Lacan, ao reduzir o estatuto do objeto a uma letra – a leva-nos a três termos que, entrelaçados, o circunscrevem: perda – falta – causa.
No Projeto para uma psicologia científica (1895), Freud, ao formular a experiência de satisfação depara-se com um resíduo não assimilável que nomeia das Ding. Segundo Lacan, o Ding seria, originalmente, o objeto isolado pelo sujeito em sua experiência do Nebenmensch como sendo estranho, “Fremde”. Freud o reduz ao seu elemento essencial, a coisa, nomeando-o Dingkomplex, complexo coisa, nas últimas páginas desse texto.
“Das Ding é originalmente o que chamaremos de o fora do significado. É em função desse fora do significado e de uma relação patética a ele que o sujeito conserva sua distância e [ele, o sujeito, aqui se constitui num mundo de relação, afeto primário, anterior a todo recalque”.1 “O que há em das Ding é o verdadeiro segredo”.2
Ao longo desse tempo trabalhamos também a correspondência e a amizade entre Sigmund Freud e Stefan Zweig. Podemos dizer que essa troca foi da ordem do acontecimento pois nos levou a nos depararmos com uma carta de Freud, certamente, causa do desejo, que nos pôs a trabalhar.
A.P.S.
M.C.F.C.
P.S.
1 LACAN, J. A ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 71.
2 Ibidem, p. 61.






