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N° 54 - a causa do desejo

Reunimos aqui os produtos do percurso realizado pela Escola Letra Freudiana no trabalho em torno de “a causa do desejo” em 2022. Debruçar-se sobre...

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Sumário

a coisa, a causa, acoisa
Eduardo Vidal

a causa resta
Francisco José Bezerra Santos

a causa e a objeto do desejo
Arlete Garcia

Um retorno a Kierkegaard
Hugo Ribeiro

Do vazio, o que se escreve?
Sergio Becker

Santo homem – fazer descaridade
Sofia Sarué

Da formação do analista à sua causa: algumas articulações possíveis entre a formação do analista e o objeto a
Nilza Ericson

a função analista. Uma posição ética
Alicia Sterlino

não passa de uma letra” algumas linhas em torno do objeto a
Leticia Nobre

Do supereu à pergunta pela causa de desejo: uma leitura no “espaço de trabalho”
Glória Castilho e Nina Lessa

O objeto a pelos caminhos da topologia do toro
Marisa S. Guimarães e Tatiana Porto Campos

Não sem… a causa…
Anete Tizue Tokashiki Arita

O percurso de um sujeito da linguagem, em construção
Josely Brasil

Lol e a vacuidade do corpo a, da causa ao resto
Patricia Sá

É preciso apostar
Eduardo Vidal

Barthes e Gide – em torno de Paludes
Paloma Vidal

Por uma causa amante
Lucia Castello Branco

a causa de desejo como subversão do totalitarismo
Bruno Diniz Castro de Oliveira

Lugar

Correspondência de Freud/Zweig

A arte da carta
Tradução (bilíngue)
Fabiano Rabêlo e Patricia Sá

Sobre as cartas trocadas entre Sigmund Freud e Stefan Zweig
Alberto Dines

Carta de Stefan Zweig a Sigmund Freud de 5.11.1935
Tradução da carta (bilíngue)
Lucas Ramos Fernandes

Colecionador de cartas
Marcelo Weisz Brassay

Apresentação

Reunimos aqui os produtos do percurso realizado pela Escola Letra Freudiana no trabalho em torno de “a causa do desejo” em 2022. Debruçar-se sobre essa causa requer que nos interroguemos sobre o estatuto do objeto a em sua constituição.

Em Freud, o objeto, desde sempre perdido, é o que se recorta do circuito pulsional, objeto em torno do qual gira a dialética do desejo. Entretanto, é preciso que se constitua como falta subjetiva para funcionar como causa.

Lacan, ao reduzir o estatuto do objeto a uma letra – a leva-nos a três termos que, entrelaçados, o circunscrevem: perda – falta – causa.

No Projeto para uma psicologia científica (1895), Freud, ao formular a experiência de satisfação depara-se com um resíduo não assimilável que nomeia das Ding. Segundo Lacan, o Ding seria, originalmente, o objeto isolado pelo sujeito em sua experiência do Nebenmensch como sendo estranho, “Fremde”. Freud o reduz ao seu elemento essencial, a coisa, nomeando-o Dingkomplex, complexo coisa, nas últimas páginas desse texto.

Das Ding é originalmente o que chamaremos de o fora do significado. É em função desse fora do significado e de uma relação patética a ele que o sujeito conserva sua distância e [ele, o sujeito, aqui se constitui num mundo de relação, afeto primário, anterior a todo recalque”.1 “O que há em das Ding é o verdadeiro segredo”.2

Ao longo desse tempo trabalhamos também a correspondência e a amizade entre Sigmund Freud e Stefan Zweig. Podemos dizer que essa troca foi da ordem do acontecimento pois nos levou a nos depararmos com uma carta de Freud, certamente, causa do desejo, que nos pôs a trabalhar.

A.P.S.
M.C.F.C.
P.S.

1 LACAN, J. A ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 71.

2 Ibidem, p. 61.

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