O entrelaçamento de questões sobre a proposta da Escola para 2026 vem nos convocar a um trabalho importante de articulação entre a teoria e clínica psicanalíticas.

Inconsciente e presença do analista são desenvolvidos por Lacan ao longo dos seus Escritos e dos seus seminários.

os psicanalistas fazem parte do conceito de inconsciente posto que constituem seu destinatário. Por conseguinte, não podemos deixar de incluir nosso discurso sobre o inconsciente na própria tese que o enuncia, a de que a presença do inconsciente, por se situar no lugar do Outro, deve ser buscada, em todo discurso, em sua enunciação. (“Posição do inconsciente”)

A busca de uma análise implica uma suposição, uma esperança de que o sujeito possa se livrar daquilo que o perturba na satisfação dos seus desejos, isto é, do seu sintoma, diz-nos Lacan no seminário 8, transferência.

Nossa função, nossa força, nosso dever, é certo, e todas as dificuldades se resumem no seguinte: é preciso saber ocupar seu lugar, na medida em que o sujeito deve poder localizar aí o significante faltoso. E portanto, por uma antinomia, por um paradoxo que é o de nossa função, é no próprio lugar em que somos supostos saber que somos convocados a ser, e a ser, nada mais, nada menos, que a presença real,  justamente na medida em que ela é inconsciente.

Retomar essa articulação no atravessamento dos seminários é a aposta deste ano.

 

Nestor Lima Vaz
Terças-feiras às 12h (quinzenal)