Neste ano de 2026 em que a Escola se debruça sobre a questão do inconsciente e a presença do analista, trabalharemos O seminário, livro 8 – A transferência (1960/61), anunciada por Lacan a partir de três pontos: sua disparidade subjetiva, sua pretensa situação e suas excursões técnicas. Situada para além de uma concepção estritamente teórica, sustentando a psicanálise enquanto práxis, Lacan apontará a transferência enquanto núcleo central da experiência analítica. Comentando O Banquete, de Platão, a dinâmica da transferência é desdobrada desde Freud pela mola do amor, fazendo aparecer o desejo do analista como força e eixo fundamental da análise. Estabelecendo um corte com a noção de intersubjetividade e interrogando a dimensão repetitiva da transferência, Lacan lança uma discussão sobre a suposição de saber que se destina a ser escutada; possibilidade de que algo novo se inscreva na experiência inédita do inconsciente, na direção singular da verdade do sujeito. Na trilha das discussões sobre o desejo e a ética, Lacan situa o lugar do analista na transferência a partir do objeto agalmático, sustentando com sua presença a questão crucial da análise: Che vuoi?

Em O seminário, livro 17 – O avesso da psicanálise (1969/70) Lacan retoma a frase com que abre o seminário do ano anterior, De um Outro ao outro: “o que está em questão no discurso como uma estrutura necessária, que ultrapassa em muito a palavra (…) é um discurso sem palavras” (p. 11). Trata-se de uma retomada do projeto freudiano pelo avesso e de dar-lhe seu estatuto. Para isso, é elaborada, no nível de estrutura significante, uma álgebra que funciona como realidade do discurso, composta por quatro elementos: $, S1, S2 e a. A partir de um quarto de giro é possível obter quatro estruturas, quatro posições de discurso radicais (p. 19): discurso do mestre, discurso da histérica, discurso do analista e discurso universitário. Lacan critica o discurso da ciência, que faz da verdade um jogo de valores, se apoiando no discurso da lógica proposicional, que consiste em ordenar proposições de tal modo que elas sejam sempre verdadeiras. Já o discurso analítico “se distingue por formular a pergunta de para que serve essa forma de saber, que rejeita e exclui a dinâmica da verdade” (p. 95)

Bruno Netto dos Reys
Claudia Mayrink

O seminário, livro 8 – A transferência
Início:
12 de março às 19h30.
Deborah Tenenbaum, Renata Salgado, Simone Pencak

O seminário, livro 17 – O avesso da psicanálise
Início:
19 de março às 19h.
Bruno Netto dos Reys, Claudia Mayrink e Nestor Torralbas

Quintas-feiras (semanal)