Ao inaugurar o século XX com a Traumdeutung, Freud abre a via régia do inconsciente. Este é regido pelo processo primário, cuja estrutura consiste no deslocamento e na condensação.

No capítulo VI deste texto, Freud escreve: “A palavra, como ponto nodal de múltiplas representações, está predestinada à ambiguidade […] por vezes, uma construção léxica, Wortfügung, por sua ambiguidade, pode expressar vários pensamentos oníricos.” Em sua obra, o pai da psicanálise não hesita, a partir desta característica intrínseca às palavras, em escandí-las em letras, dando luz a significações inéditas que representam a verdade do sujeito.

Lacan desenvolve o conceito de letra ao longo de seu ensino. Se na década de 50, em “A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud”, não distingue claramente a diferença entre letra e significante, na década de 70, atribui à letra uma função primordial, a de fazer borda ao real, litoral entre saber e gozo.

O objetivo deste seminário é, a partir do trabalho de Freud com as palavras e as letras, percorrer os textos lacanianos que formalizam a função da letra na prática analítica.

 

 

Claudia Mayrink
Dalmara Marques Abla
Elza Gouvêa

Início: 06 de março
Sextas-feiras às 11h (quinzenal)